quarta-feira, janeiro 10, 2007

A última curva...

Acordei sobressaltado com um estrondo que depois constatei ser proveniente do rebentar de um balão. As crianças, essas eternas fontes de riso e brincadeira arrancaram-me um sorriso adormecido. Lembrei os meus filhos…os gémeos tinham agora um ano e há seis meses e quatro dias que não os via. O mais velho lembrava-se de mim, dizia a mãe nos dois minutos que tinha por semana de telefone para ligar para casa. Encontrava-me no aeroporto de Milão – Malpenza, aguardando voo para Lisboa. Três dias antes, ainda em Sarajevo, havia recebido um convite para mais um tour de seis meses. Obviamente recusei, apesar de me garantirem que seria no Quartel-General da Missão e que não haveria patrulhas nem missões esquisitas. Para mim chegava.
Faltavam ainda quatro horas para o voo e decidi beber umas “bejecas” num daqueles bares de aeroporto. Afinal haviam passado seis meses e quase não gastei dinheiro nenhum…não havia onde fazê-lo.
Bebi durante mais de duas horas… Estava atascado de cerveja e de grapa… A velha anestesia do soldado era agora aplicada para ajudar a passar o tempo. Procurei assento junto à porta de embarque, faltava agora pouco mais do que uma hora.
Adormeci por breves momentos e só acordei com o “basqueiro” de uma grupo desportivo qualquer que embarcaria também para Portugal.

A bordo informei a hospedeira que não queria comer nada e que precisava de dormir. O tal grupo desportivo não deixou e pus-me a recordar…Era estranho, vinha-me embora mas sentia saudades dos que lá ficavam. Um turbilhão de sentimentos deu-me a certeza de que não voltaria mais…nem de férias. Pedi uma heineken à hospedeira.
Recordei a minha saída de Sarajevo e os meus últimos tempos adido a uma unidade militar inglesa. Conheci-os o suficiente nas mais de duas dezenas de patrulhas que fiz integrado na sua unidade. Aliás, estranhei que alguns deles, que logo ao início olham tudo o que não é british de soslaio, me saudavam militarmente e tratavam-me com deferência. Evans, esse meu grande amigo e irmão de armas, havia-se encarregado de os “brifar” sobre nós, os “velhos”.
Não sei o que lhes disse, só sei que me imitavam em tudo quando em patrulha, quer nas ruas de Sarajevo, quer nas montanhas em redor. Até os próprios sargentos ingleses e o oficial comandante de pelotão me tratavam de forma diferente do formalismo militar.

Um dia, numa dessas patrulhas nos arredores a norte de Sarajevo, encontrámos um pontão destruído mesmo antes de uma grande curva para a direita, ladeada de montanha de um lado e de uma várzea do outro. Ao fundo, a uns duzentos metros, uma casa de campo destruída indicava que aquela várzea havia sido terreno de cultura.
O tenente Higgins, comandante de pelotão, ordenou que um pequeno grupo avaliasse das condições da várzea para a passagem dos seis “Land-Rovers”. Cortam-se uns ramos de árvore, desbastam-se as ramadas e depois servem de espeto para aferir da macieza da terra para poder suportar ou não o peso dos carros.
Três soldados meteram-se à várzea, não antes de se estabelecer a segurança, tendo uma equipa passado a curva através da encosta da montanha, evitando assim alguma emboscada daquele lado.
A imagem lembrou-me as fotografias do meu pai da guerra em África, com os pica-minas sempre a picar o itinerário…Pequenos grupos de passarinhos pousavam aqui e ali à busca de alimento…De repente despertei naquela manhã calma e berrei para os “picas”:
- Stay where you are, stop!
O sargento Edwards veio ter comigo e perguntou-me se havia visto algo. Nem lhe respondi, corri até aos três rapazes e gritei para toda a gente ficar quieta. Passaram-se uns cinco minutos até que os pássaros, que haviam levantado com a algazarra e com o movimento do pessoal a tomar posições, regressaram em pequemos grupos a determinadas partes da várzea. Disse aos três rapazes para regressarem colocando os pés precisamente no local onde haviam pisado antes.
Expliquei ao tenente Higgins que acreditava que havia minas naquela várzea. Que na minha opinião o facto do pontão estar rebentado e não haver relatório da patrulha anterior sobre o facto, o que nos obrigava a passar através da várzea, aliado ao facto dos pássaros pousarem em sítios específicos, indicava que a terra havia sido mexida recentemente.
O ter sido criado no campo e o me ter lembrado das fotografias do meu pai, salvara a vida a alguns de nós. Aguardámos quase duas horas pela chegada do “heli” com os sapadores de engenharia. Naquela várzea foram encontradas e destruídas três minas anti-carro e oito anti-pessoal. O Pontão foi reparado.

Chegou o dia da partida e, inexplicavelmente, conduziram-me para outra parte do Aeródromo de Butmir. A hora de apanhar o avião militar para uma base italiana nos arredores de Milão aproximava-se e não percebia o motivo porque estava ali. Talvez me fossem dar uma recordação…
Uns minutos depois entrou o capitão William Hartmann e disse-me que estava na hora.
Cá fora o pelotão dos Royal Green Jackets em que estava integrado estava formado em uniforme de parada e prestou-me honras militares não protocolares. Não consegui articular uma palavra, postei-me na sua frente e recebi, eu um sargento, a continência de um tenente. Um militar não forma de óculos de sol mas naquele dia quebrei a regra. Olhei-os através das lentes para não me “desmanchar” na sua frente. Retribui a continência, virei-lhes as costas e quis sair dali para fora.
O major Barrows acompanho-me até ao avião, apertou-me a mão e disse-me qualquer coisa sobre as minhas capacidades militares…não o quis ouvir…de emoção já chegava.
Guardarei na memória aquelas imagens até que um dia me vá reunir aos outros que partiram antes. Guardo também o diploma/louvor que me deram e que não entreguei cá para o meu processo. Geraria invejas e ódios desnecessários e isso não era importante. Quem me conhece sabe o que é verdadeiramente importante para mim.

Soube depois que por cá um sargento fora condecorado por “bravura” por ter reagido a uma emboscada sérvia, quando na realidade, após o processo de averiguações, se concluiu que os tiros na sua viatura eram da sua própria arma e havia que justificar os disparos. Como o processo já ia adiantado e era tarde para desmanchar o logro, o homem lá foi condecorado pelo PR. Um outro, este oficial, que tinha o azar de adoecer na véspera das patrulhas que lhe competia fazer, para além de se esconder debaixo de uma mesa de snooker quando dos bombardeamentos e gritar que nem um desalmado, foi agraciado com a medalha de serviços distintos e colocado num posto no estrangeiro. Um outro ainda, também oficial, cuja fama de negociante na Bósnia lhe valeu vários comentários pouco abonatórios por parte de oficiais estrangeiros, tentou suicidar-se há pouco tempo com veneno. Pesar-lhe-á a consciência?
Quando regressei disseram-me, à laia de justificação nem sei do quê, e sem que eu tivesse perguntado alguma coisa, que só havia cota para condecorar um oficial e um sargento.
Foram condecorados um mentiroso e um cobarde…

30 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Poder viver em PAZ com a nossa própria consciência é realmente louvor suficiente para quem nada fez à espera de receber "condecorações".
Mas custa engolir tanto sapo!!!

10 janeiro, 2007 10:56  
Anonymous Anónimo said...

Na guerra não és tu quem escolhes os camaradas; são os camaradas que te elegem a ti!!!

10 janeiro, 2007 19:43  
Blogger O Transmontano said...

Olha Manel!
Tenho uns anitos mais do que tu...
Vivi em África, permaneci enquanto miúdo da MP em muitas paradas militares...
Ingénuo e imaturo que era fazia-me sempre muita confusão que os oficiais fossem sempre condecorados pessoalmente e os Sargentos e Praças, salvo raríssimas excepções, eram sempre agraciados a título Póstumo!!!
Contudo, agora, velha raposa, e tendo feito uma digressão pelos nomes dos mortos de Guerra, ali em frente do Forte do Bom-Sucesso, onde tenho familiares meus, percebo o porquê...Basta ler...Alferes Miliciano, Furriel Miliciano, Cabo e, muitos SOLDADOS...
Alguns Militares estarão lá do QP mas, uns de facto em combate(?), outros no combate ao álcool e acidentes rodoviários e um outro Traidor a quem o sr. paulo portas, fez questão de condecorar e de lá inscrever, chamado Magiolo Gouveia...
De facto, só quem não conhece a História do Ultramar e de Timor, poderá não entender este teu texto...
Mas eu, como te entendo meu Amigo...
Louvam-se os cobardes, os lambe-botas e branqueiam-se os Actos Heróicos e Distintos daqueles que para além do mais, têm a ousadia de afrontar estes trouxas que agora se sentem vergados ao peso das condecorações da CEE, devidamente orquestradas e encomendadas....
Quando o último PR condecorou um famoso costureiro por fazer os vestidos da mulher!?!
Um abraço...

10 janeiro, 2007 22:57  
Blogger António Lisboa Gonçalves said...

Manel, obrigado mais uma vez por estas palavras e quanto á condecoração ( a que realmente tem valor!) recebeste a mais alta que se pode ter, o reconhecimento e a admiração dos companheiros de armas.
Quanto às "chapas" que alguns ostentam na folha de serviço e no peito, nós sabemos com algumas delas se conseguiram, mas também num país onde até um tal dde Guterres foi condecorado a 10 de Junho, por seviços relevantes prestados ao país, nenhuma condecoração terá valor!
Eu, durante 22 anos, prestei serviço efectivo como Sargento do QP, e raras vezes vi premiar a competência, independentemente do posto, pelo contrário, na maioria das vezes a incompetência é que saía contemplada com louvores e condecorações. Devo dizer que existiam excepções, mas todos eles, mais cedo ou mais tarde, acabaram por saír das FA's, fartos e cansados.

Um abraço Camarada.

11 janeiro, 2007 12:16  
Blogger Menina_marota said...

"...Foram condecorados um mentiroso e um cobarde…"


E recordo as palavras do meu Avô, que enquanto me ensinava as "artes" do hipismo e eu em cima de uma grande (para o meu tamanho)égua cheia de medo de cair, me dizia:
"-Minha neta, dos fracos não reza a História"

Pois não. São condecorados!

E ele, também como soldado, duas vezes ferido em combarte, deve estar do outro lado, revoltado com o que se passa neste mundo!

Gosto de te ler. Sabes isso. Comentar-te é muito mais difícil, quando a comoção toma conta do meu ser.

Um abraço

12 janeiro, 2007 02:13  
Blogger rouxinol de Bernardim said...

Isto das cotas tem muito que se lhe diga!

Mas... há gente muito "cota" também!

12 janeiro, 2007 08:57  
Blogger Isabel-F. said...

Obrigada pela partilha de mais uma situação por ti vivida.

Gostei de ler.

bom fim de semana
Bj

12 janeiro, 2007 11:03  
Blogger amita said...

Despertas a realidade com as tuas histórias vividas e, por isso te agradeço. É tão pouco ou quase nada o que por aqui se sabe!
É urgente despertar a consciência fácil de gentes que nos adormecem os caminhos.
Adorei ler-te, Manoel. A emoção transmitida ao papel entra em nós intensamente.
Um bjinho grande

13 janeiro, 2007 13:06  
Blogger Menina_marota said...

Voltei para te ler...
parto com a mesma comoção de sempre.

Beijinho e bom fim de semana ;)

13 janeiro, 2007 13:56  
Blogger Kalinka said...

Iniciou-se a contagem decrescente para o lançamento do livro «Que é o Amor?».

Colaborei com um texto da minha autoria, dedicado a todos que de alguma forma marcaram a minha Vida em momentos inesquecíveis, mas também a alguém muito especial que nasceu dia 7 de Fevereiro e que, por não pertencer ao Mundo dos vivos, guardo com muito Amor, na minha memória (minha Mãe).

É uma excelente oferta em qualquer altura, mas como se aproxima o Dia dos Namorados, será bom começarem a preparar as vossas encomendas quanto antes.

Beijos e abraços.

13 janeiro, 2007 20:45  
Blogger Mitsou said...

Pois é, Manel, também te li emocionada e faço minhas as palavras das nossas amigas Amita e Menina Marota.

Um beijinho e bom domingo.

14 janeiro, 2007 14:11  
Blogger Isabel-F. said...

tenho uma apelo no meu Blog. Quando puderes dá uma espreitadela.

Bjs a boa semana

15 janeiro, 2007 12:44  
Blogger david santos said...

Olá!
As condecorações, não são para pessoas honestas.
Parabéns.

15 janeiro, 2007 14:28  
Blogger miruii said...

Boa! Escrever, sim, para os gémeos saberem um dia o pai de carácter que nem todos têm...
Um abraço em forma de picada

15 janeiro, 2007 22:09  
Blogger DIGNIDADE said...

Olá Manel!
Quantas saudades!!!
Durante o tempo que estive ausente, a fazer tratamento (quimio e laser), não te esqueci, nem ao António, nem ao Transmontano, nem aos Dignos...Voltei forte e determinada ao vosso convívio, nova em folha...e sou presenteada com mais um belo bocado de ti e da tua Grandeza.
Quem gosta de "chibantes" (coisas garridas e coloridas), são animais excêntricos, onde podes incluir aves raras (pêgas, avestruzes...)e gentalha medíocre que só pode premiar os ignorantes e os preversos, que não desmascaram a sua pequenez e incompetência: aí tens as medalhas aos pedófilos, traidores, inúteis, bufos, merdosos...desculpa a linguagem!
E o Mundo está nas mãos destes estupores que proliferam e refinam a sua mediocridade.
Mas sabes que és tu, e alguns como tu, que fazem a diferença e que são os nossos heróis, que nos ensinam, com o exemplo, a ser Homens e Mulheres. Tentarão sempre abafar e silenciar os Manéis...mas os nossos filhos, ouvirão falar de nós e a Honra será o seu estandarte!
Adorei a música, é linda!
Um bj!

16 janeiro, 2007 18:10  
Anonymous Anónimo said...

Pode-se falar mais alto, mas não mais claro!!!

17 janeiro, 2007 11:30  
Anonymous carva said...

Aos textos deste "SOLDADO" só me ocorre um BRAVO muito grande.
Tenho-me deliciado com alguns dos seus textos e não seria mau de todo que nas nossas escolas militares fossem objecto de análise e debate. Muito do que o meu "camarada" denuncia é o pão nosso de cada dia neste país que se quis de Abril... mas não consegue ser porque já devia pesar a consciência a muitos, mas mesmo a muitos, dos que o fizeram. Foi, já há alguns anos, que nos bancos da Escola Militar me apercebi de há muitas "verdades" mas que não devemos deixar de lutar pela nossa, libertos de quaisquer interesses ou na mira de quaisquer benesses e tão só no respeito pela nossa consciência. Mas também houve um momento de desânimo e desisti e "fugi" da vida que em jovem escolhera. Os vossos testemunhos levantam-me o moral e ajudam a recuperar a convicção de que ABRIL ainda é possível. Obrigado

CC Ten Cor ref

18 janeiro, 2007 10:38  
Blogger O Transmontano said...

Com a permissão do Meu Amigo Manel deixo aqui um grande grito de alegria pelo regresso da "DIGNIDADE".
Digna na escrita, digna na luta, digna na determinação...
Deus a Abençoe...Obrigado pelas suas palavras no que me concerne.
Deixo-lhe aqui uns versinhos, como forma de gratidão.
Querem Prender a Mentira/Que é a alma da Traição/ Porque não prendem os Sonhos?/ Que tão Mentirosos são?
E se ela é irreverente
E causa casos tristonhos
Eu pergunto a toda a gente,
Porque não prendem os sonhos.
Bem-Haja e muita saúde.
Ao meu amigo Manel, o meu muito obrigado pela disponibilidade deste espaço.
Um abraço my Friend e um grande obrigado pelos mail's.

18 janeiro, 2007 20:23  
Blogger Isabel-F. said...

desejo-te um bom fim de semana
bjs

19 janeiro, 2007 10:04  
Blogger Rosa Brava said...

Deixo-te um poema e um Abraço...

"Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não."

(Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen)

20 janeiro, 2007 02:22  
Blogger Um Poema said...

Meu amigo,
Já aqui vim duas vezes ler-te e não soube o que comentar. Hoje resolvi deixar-te uma nota.
Mudam-se os tempos, mas não se mudam as mentalidades, nem os compadrios.
Porque é que esta parte, relativa às condecorações, me parece tão familiar?...
Honra aos ignorados! Porque são esses os verdadeiros heróis.
Um abraço

21 janeiro, 2007 01:19  
Blogger goticula said...

Passei para desejar-te um bom fim de semana querido amigo.
Um texto muito sentido

Beijinho

21 janeiro, 2007 02:18  
Blogger Micas said...

Mas é sempre assim Manel, o mundo pertence aos "sacanas", são os que mais sorte tem. De qualquer modo eu acredito que viver em paz e de consciencia tranquila é o melhor bem que se pode ter, acredito também que existe uma qualquer justiça divina, mais cedo ou mais tarde uns serão compensados enquanto outros pagarão...não quero nunca deixar de pensar assim, senão sei que mais um sacana iria andar a "parasitar" no mundo...

Beijo grande e bom domingo

21 janeiro, 2007 12:08  
Blogger maria said...

São testemunhos como este que nos fazem crer na possibilidade da Grandeza de Carácter, do Desprendimento de todos os louros que não sejam os da Alma...
Agradeço-te por isso:)
Beijinho

21 janeiro, 2007 12:10  
Blogger Barão da Tróia II said...

É sempre um prazer vir aqui e ler o que escreves. Boa semana.

22 janeiro, 2007 22:13  
Anonymous S. Silva SAj Inf Cmd said...

Manel, ganda Ramon

Hesitei uns tempos antes de escrever umas coisitas. Tenho-te lido e tu és muito mais do que contas. Deixa-me dizer só uma coisa tu para mim és um embelema, és um homem inteiro, um lutador que apesar dos cabronaços que te massacraram a vida nunca arriaste e mais NUNCA TRAISTE UM CAMARADA mesmo aqueles de quem não gostavas. Se há camarada de que ainda hoje falo sempre com orgulho é de ti.
Como gostavas de dizer quando as coisas não iam bem.
Há duas coisas na vida de que um homem nunca foge, é de um amor forte e sincero e já bebia qualquer merda Óje. Na rima mas apetece-me!
Um ganda abraço camarada
MAMA SUMAE!

23 janeiro, 2007 11:34  
Blogger agua_quente said...

A melhor recompensa é sempre a paz com a nossa consciência. Gostei de ler o teu texto, testemunho de uma realidade para mim totalmente desconhecida.
Beijos

23 janeiro, 2007 11:57  
Blogger lena said...

Manel, meu querido amigo, já me sentei aqui neste teu cantinho várias vezes e li este teu post outras tantas, saindo sempre sem palavras, as emoções são fortes e o que escreves, além de estar muito bem escrito, choca, a emoção toma conta de mim e as palavras, não querem deslizar

sabes quanto "detesto" este "veneno" que viveste, onde estiveste e o que passaste, faz-me lembrar outras guerras, contadas pelo meu pai, onde as minas destruíam, causavam danos irremediáveis, vi-me de nono a ver imagens dessa guerra que falas, onde os sapadores iam à frente e muitas vezes pagavam com a vida algum percalço mais desatento, devido à pressão que se encontravam

tudo isso sempre me assustou, era pequena, mas via a minha mãe sempre de lágrimas nos olhos e nós as meninas como o meu pai nos chamava, tínhamos que ser protegidas. cresci e comigo cresceu a revolta, de em casa se viver sempre com o credo na boca como a minha avó sempre dizia

tu descreve tudo com tanta dignidade, tanta realidade, que muitos te deviam ler e ficar de consciência pesada, as verdades doem muito, não sei se esses “senhores” sentem dor

cada post teu é cheio de vida e realidades, a emoção acaba sempre por tomar conta de mim

os gémeos certamente ficaram orgulhosos do pai que têm,

muitas vezes a incompetência é igual a condecoração e a louvor, lamentavelmente

apetecia-me abraçar-te, dizer que me orgulho de ti, da tua imparcialidade, destes momentos de leitura que nos ofereces, por seres especial

vai até ti um abraço cheio de carinho e admiração

beijinhos

lena

23 janeiro, 2007 12:20  
Blogger MRelvas said...

Caro Manel...este texto sério e semtido caiu-me muito bem.Pela verdade que conheço também!

Vou publicar no Passa Palavra se não te importas!!

Abraço CAMARADA!

Mário Relvas

10 abril, 2007 21:43  
Blogger A. João Soares said...

Caro Manel,
Recebi este texto por e-mail do Mário Relvas. Achei-o muito interessante para demonstrar aos ignorantes que se dão à loucura de dizerem mal dos militares que cumprem missões perigosas que lhes são impostas e envolvem sacrifícios e riscos.
Por isso tomei a liberdade de o colocar no Do Mirante http://joaobarbeita.blogspot.com/
com o título «Eles correm riscos». Esta devidamente identificado o autor.
Um abraço
A. João Soares

11 abril, 2007 06:35  

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