quinta-feira, novembro 23, 2006

Povo que escarras no rio!








"Se serviste a Pátria e ela te foi ingrata, tu fizeste o que devias, ela o que costuma."
Padre António Vieira



Recentemente, um grupo de camaradas que havia feito uma colecta para ajudar a família do João Roma Pereira, deslocou-se ao Redondo para a missa do aniversário da sua morte e entregou à família a ajuda de que carecem, pois dependiam do vencimento do esposo e pai para viverem.
Até à presente data, o governo eleito por maioria, por este mesmo povo que o João representava internacionalmente, ainda nada pagou à família.
A Associação de Comandos e outros camaradas jamais deixarão cair os familiares dos seus. A minha revolta é surda...!

O Governo, liderado por esse grande homem com M grande, ainda não pagou a indemnização devida nestes casos e já lá vai mais de um ano.
Em cada discurso roto, o mesmo escuda-se na legitimidade da maioria que o elegeu e vós povo sois culpado de nada dizerdes e de fazer nem se fala. É a ditadura da maioria democrática!
Que povo sois vós que permitis que se protejam e se paguem chorudas reformas a pedófilos, vigaristas, burlões, pederastas promovidos por o serem, concubinas elevadas a técnicas superiores de subida horizontal, assim com outros cidadãos exemplares da mesma igualha?
Que povo sois vós que legitimais os cobardes que se refugiaram no estrangeiro enquanto os vossos filhos combatiam, morriam, ficavam estropiados ou afectados psicologicamente por causa da guerra dita colonial?
Que povo sois vós que não entendeis que com fim do serviço militar obrigatório só os vossos filhos que não tem acesso a cunhas, compadrio e tachos é que servirão as Forças Armadas por falta de emprego e consequentemente morrerão no estrangeiro em nome de uma democracia que o é só para alguns?
Que povo sois vós que ainda sofreis no recato do lar as mazelas dos que viram a guerra e voltaram e nada fazeis?
Tu mereces que te defenda Povo?
Manifestas-te por solidariedades longínquas e tens os teus a passar mal em casa? Que povo é este a que pertenço?
Que povo é este que permite que um filho morra no estrangeiro pela paz mundial e lhe deixa cair a família no esquecimento e na quase sobrevivência caridosa?

Tu povo que me mandas mails de amizade, solidariedade e outras merdelices piegas, não me ensinas a ser solidário, não sabes sê-lo. Eu não o afirmo, provo-o no terreno quando é preciso e não ergo bandeiras de pregão.
Assim que te apanhas ajudado nunca mais apareces, estás servido, aliviaste a consciência com umas parcas palavras ou com uns míseros cobres e já está.
Aquela família alentejana, como as famílias de tantos outros portugueses que ficaram em África, Bósnia Herzegovina, Timor e mais recentemente no Afeganistão, não te pertencem a ti povo, escorraça-los, ignora-los diariamente enquanto crente numa propaganda jornalística de que eles vivem bem, são nababos e não o merecem.
A partir de hoje povo, que me passastes os teus valores pretéritos mas também os presentes, estes que reneguei sempre e que agora te retribuo, não contes comigo para solidariedades, correntes de amizade, palavras amigas, declarações de amizade eterna virtual.

Tu não sabes povo que lá onde se aprende a imensa lição da camaradagem e da solidariedade é que estão os valores que esqueceste?
A partir de hoje povo, não escrevas no meu montado a não ser que o sintas profundamente, pois este é também solo sagrado onde os meus camaradas desaparecidos vivem comigo e é para eles e para os que os respeitam que escrevo. Tu, pelo exemplo de encolher os ombros e assobiar para o lado não os mereces, és indigno de os mencionar até.
A partir de hoje não me peças o meu sangue ou a minha medula, pede-me antes o que deste aos meus irmãos e camaradas, o esquecimento e o teu silêncio cúmplice e cobarde.
Cansei-me…

22 Comments:

Blogger DIGNIDADE said...

Olá Grande Manel!
Talvez não possua a grandeza suficiente para te deixar qualquer comentário sobre algumas matérias que abordas, porque realmente não sei o que é ser militar...mas sei o que é a Honra e sei o que é a revolta contra um Portugal de Pequeninos... Gostava de poder fazer algo por todas essas famílias que perdem os seus filhos/pais/irmãos/companheiros, mas não sei como, por isso, diz-me!
"Luto" todos os dias, à minha insignificante dimensão contra esses "nojentos agraciados e galardoados" e jamais votei ou votarei nesses crápulas.
Trabalho numa empresa de capitais públicos e estou "suspensa" por ser "subversiva" (denuncio as fraudes, os aliciamentos e incinto à revolta).
Assim que possa abandono este país, pois não quero que os meus filhos lidem com tanta mediocridade déspota.
Se estiveres a passear, com a tua família, frente ao Governo Civil de Lisboa tens o meu apoio...se achares que nem essa importância eles merecem, também respeito.
Só não sei como todos Vós, militares, polícias...conseguem "servir" este País e este Povo, mas estou-vos eternamente grata!
Diz-me se posso ser útil de algum modo...
O meu Respeito e a minha Simplicidade são tudo o que te posso deixar neste momento.
Um bj!

23 novembro, 2006 16:04  
Anonymous Anónimo said...

Compreendo a sua revolta, acredite...toda a minha familia frequentou o meio militar...2 gerações de comandos em Lamego, logo na abertura da 1ª fornada de 61...destino guerra colonial...quantos tombaram!?Imensos...para quê?? Para nada, claro...E hoje, que leva alguém às forças armadas, que espirito o anima para se alistar nos Rangers, nos SAS ingleses ou na Legião Estrangeira??Sinceramente não sei...O que sei é que é uma decisão em que se está sujeito à morte, crua e atroz sem qq sentido...em que se está sozinho na hora H e mais tarde a morte dum soldado em campo de batalha significa quanto em €?? Esperamos pelo apoio do EStado para uma pensão de sangue!? É legitimo e apropriado, mas é não conhecer o funcionamento da Républica, que não presta homenagem aos que por ela tombaram...há até uma certa ingenuidade neste pressuposto.Esta ideia devia estar bem clara na mente de todos os que se alistam, nas guerras morre-se e não há qq beleza nisto, nem ideais de coragem, nem dignidade em tombar de pé, nem lutar em proporções de 15 para um com as visceras de fora como me dizia um velho Legionário que tinha estado em Dien Bien Phu...Eu percebi isto a tempo e evitei ser a 3ª geração de Comandos, tive sorte... parei a tempo...

24 novembro, 2006 10:31  
Anonymous Anónimo said...

Por isso mesmo, temos os políticos que merecemos... E não nos envergonha.

24 novembro, 2006 12:02  
Blogger O Transmontano said...

O melhor comentário que posso fazer ao teu texto é não comentar...Está quase tudo dito.
Um abração.

24 novembro, 2006 16:10  
Blogger António Lisboa Gonçalves said...

Pois é Manel, palavras com muita razão! Não passamos de cordeirinhos à espera que alguns façam o que nós deviamos fazer.
Tens toda a razão no que dizes, e porque não, passar à acção tentando que alguns de nós colaborem, tenho a certeza que isso aconteceria, é só começar que o após o primeiro...

Um abraço

25 novembro, 2006 11:25  
Blogger Um Poema said...

O melhor comentário creio que será o artigo que acabo de publicar.
O meu abraço sincero

25 novembro, 2006 23:26  
Blogger Menina_marota said...

Que posso eu comentar, a não ser deixar aqui o meu abraço solidário, a todos os que lutam, de uma forma ou outra!

A revolta é "surda", mas ela existe e começa a estar bem patente em muitos lugares. O Povo não é estúpido. Pode ter ainda reflexos de medo, mas não é estupido e apercebe-se melhor do que muitos pensam...

Costuma-se dizer. "Deus o deu, Deus o tirou..."

Mas agora apetece-me dizer "O Povo o deu... o Povo o tirará..."

Um abraço carinhoso e solidário

26 novembro, 2006 13:27  
Blogger Menina_marota said...

Espero que não te impotes que te tenha citado no meu blogue...

Beijo

26 novembro, 2006 14:58  
Blogger Luna said...

São verdades tão fortes que falas, que nem tenho como comentar, só te dizer que era preciso mais gente como tu para mudade toda esta farça que é o país e quase todos nos
beijos

26 novembro, 2006 18:43  
Blogger as velas ardem ate ao fim said...

Se serviste a Pátria e ela te foi ingrata, tu fizeste o que devias, ela o que costuma."
Padre António Vieira


Um abraço sentido para ti e para a familia do Homem que me "serviu", porque eu não tenho a memória curta e daqui o meu muito obrigada.~

Cansada tb estou

Boa semana

26 novembro, 2006 22:52  
Blogger Lumife said...

Um grito de alma sentido fruto de quantas desilusões?

Abraço

26 novembro, 2006 23:36  
Anonymous Anónimo said...

Mas a familia do falecido deixou de receber dinheiro?
Ficou desamparada?

Qual é o salário do falecido?
Quanto ganhava?

Ficamos com a ideia de que os familiares do sargento falecido estão a passar fome.
Estão de facto?

Ou o que falta receber é uma indemnização do seguro?

27 novembro, 2006 00:41  
Blogger Afrodite said...

"Que povo é este a que pertenço?"
Que mundo é este em que vivemos?

O meu fado não é, nem nunca foi, sebastiânico, mas o "Homem Novo" por que militantemente lutei é uma utopia. A semente revelou-se impura.

Tal, contudo, não me retira a capacidade de continuar a dizer Não!

27 novembro, 2006 09:15  
Anonymous José Augusto Arnaldo said...

A quem se esconde por detrás do anonimato.

Faça essas perguntas a quem tem a responsabilidade de cumprir e ainda não cumpriu. Mais do que um anonimato cobarde este tipo de comentário faz lembrar uma editora discográfica que se chamava "A Voz do Dono".

José Augusto Arnaldo
SAj Inf. Cmd. Reserva

27 novembro, 2006 09:41  
Blogger Manel do Montado said...

Tenho por regra não comentar quem comenta no meu montado. Abro aqui uma excepção porque considero de muito mau gosto algo que aqui foi postado pelo anónimo de 27 de Novembro.
Embora lhe reconheça o direito ao esclarecimento, fá-lo-ei com a reserva devida pela imprecisão de alguns dados, embora próximos dos valores reais.
Já agora quando afirma.” (…) Ficamos com a ideia de que os familiares do sargento falecido estão a passar fome. Ficamos quem? Refere-se a mais alguém que está consigo e o mandatou para representação ou aos outros que por aqui passam?

Às suas perguntas:

Não
Sim
Os falecidos não têm salário
Ganhava perto de 850€ e por sua morte a família fica com metade.

Não, a passar fome não estão, ficaram foi sem possibilidades de comprar a casa que estavam a pagar porque o tal seguro obrigatório que os bancos exigem não cobre este tipo de morte.

Falta receber o seguro por morte em missão de paz não em guerra, o que é uma ridicularia, não chega a dois mil contos. Também falta receber uma compensação que é de 6 vezes o salário do militar.

Se nem aos vivos estão a pagar; que o digam as centenas de jovens contratados que abandonaram este ano as FFAA e ainda não receberam a compensação de um mês de salário por cada ano de serviço.

Se a viúva voltar a casar perde o direito à pensão e à assistência na doença.

Ninguém lhe vai pedir ajuda, até porque nem sabia a quem se dirigir, fosse esse o caso.

27 novembro, 2006 10:09  
Blogger Su@vissima said...

Ai!!!...Povo de memória curta!!

Como conseguimos ser um povo mag(r)o de coração..."estranho-me"

Um beijo daqui.

27 novembro, 2006 12:09  
Blogger O Transmontano said...

Grande Manel,
Tenho o direito, como amigo e camarada, de usar o teu espaço para dizer o seguinte:
-Quando mantemos o anonimato depois de termos feito bem ao próximo, de termos ajudado e queremos esconder a mão que deu...
-Quando não queremos que a mão esquerda não saiba nunca o que a direita deu, na ajuda, na solidariedade, no afago, na ternura e no estender de mão para ajudar o semelhante...
-Quando isso fazemos, para nem sequer permitir a quem ajudamos a obrigatoriedade de nos agradecer, na minha modesta e humilde opinião, estamos a cometer um acto de sublime nobreza em generosidade...
Agora, quando se invoca o anonimato para esconder a face que se não tem, para esclarecer alguém que lhes paga ou algo lhes promete, são actos de cobardia que, assentam perfeitamente nos "sem rosto".....
Peço-te desculpa mas, um dia, eu disse-te o seguinte:
-As pessoas e as coisas têm um valor muito relativo.
-E, as acções, definem quem as pratica...
És um nobre de coração e de personalidade....Perdoa-me o comentário....Perdeste tempo ao explicar a um "sem rosto" aquilo que ele nunca percebeu e creio que não tem massa cinzenta suficiente para alguma vez perceber....
Revoltam-me os que se escondem, os que se escudam e aqueles que circulam no deserto da vida e fazem parte de uma cáfila que apenas exploram as desgraças alheias.
Espero que me perdoes a ousadia e um grande abraço.

27 novembro, 2006 18:00  
Blogger DIGNIDADE said...

Olá Manel!
Quero agradecer-te as palavras honrosas que me deixaste.
Não pude, contudo, deixar de ler os comentários anteriores e, embora outros já o tenham feito, de forma bastante oportuna, não queria de dizer ao imbecil do "anónimo" cobarde que teve o desplante de se permitir "dar um ar da sua graça", mesmo depois de no teu "post" teres deixado bem claro, quem permitias que te "visitasse"...donde concluo que o ente ou é mentecapto ou está com receio de ver diminuido um mais que provável subsídio de que é beneficiário (à custa dos nossos impostos), porque quem é merecedor efectivo de algum "rendimento" ou "pensão", tarde ou nunca o recebe e não perde nem faz perder tempo a gente de bem. Para que não haja dúvidas o meu nome é Helena Silva e uso um "pseudónimo" porque me apetece.
Gostaria de dedicar ainda uma palavra de apreço ao Antº Lisboa Gonçalves, ao Transmontano, ao José A.Arnaldo e ao Vitor ("Umpoemadevezemquando") e à "meninamarota".
Penso que já vai sendo tempo de agir...conta comigo!
Um bj!

27 novembro, 2006 23:01  
Anonymous Anónimo said...

ontem por sugestão da menina marota ainda aqui vim e fiquei sem acreditar nas palavras que lia, mas a pressa era muita e esta resposta precisava de tempo mesmo. hoje cá voltei e para grande espanto temos uma troca de palavras... bem são os mal entendidos e muitas vezes a falta de conhecimento que levam a isto, eu propria nunca pensei que uma situação destas fosse possivel. Trabalhei como civil uns tempos na Força Aerea e conheci por perto os valores que regem os militares, e gostei e gosto muito. Acredito que esta familia nunca passará fome, mas será isso mesmo que ela procura, ou apenas recuperar a sua dignidade(pela sua autonomia financeira) e ser independente? isso sim, mas como se mudam as coisas para que isto deixe de acontecer neste país? dizendo por todo o lado, apresentando propostas de lei, mexendo com o poder, tudo o que for possivel para alterar o presente. E os mais incredulos respondem-me? olha esta quer mudar o mundo, quero sim, respondo, eu e todos os que por aqui andam e dão a sua opinião,
por isso manel do montado toda a força e se for preciso ajuda apita que divulgarei também no meu blog.
um bem haja
sofialisboa.blogspot.com

28 novembro, 2006 11:46  
Blogger Barão da Tróia II said...

Sinto o que sentes, se isso me é permitido! Raiva, desgosto, ódio, nojo, desespero, desalento...
Boa semana

29 novembro, 2006 10:35  
Blogger Lumife said...

Encontrei este poema do Manuel Alegre e acho que se coaduna com o teu texto pelo que tomo a liberdade de o transcrever:

PRIMEIRA CANÇÃO COM LÁGRIMAS



Meu amigo morreu. Meu amigo partiu
Na madrugada fria, fria meu amigo (dizem)
agora habita a verde catedral de um bosque
Meu amigo morreu. Meu amigo não volta

Meu amigo dizia (estou a ouvi-lo)
vou procurar minha estrela. Foi
e não voltou. Meu amigo (dizem)
tem agora o tamanho de uma estrela.

Eu estou mais velho é certo. Meu amigo morreu.
Amigo é uma palavra agora com aldeias tristes
estas paragens percorridas pela ausência
sem lâmpadas (com lágrimas com lágrimas)

Meu amigo partiu para o espaço da noite
e há uma viola dentro da tristeza
neste verde lugar onde a noiva anoitece.
Nunca mais voltará. (Porque morreu?)

Manuel Alegre


Um abraço amigo

30 novembro, 2006 12:06  
Blogger adesenhar said...

manel

tal como tu também cansei...

deixo um abraço.

mama sumae.

12 dezembro, 2006 23:05  

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