Sexta-feira, Junho 22, 2007

Adeus a um Anjo...

Há cerca de dois anos no Blog “Furão Indiscreto”, comentei assim o post desse meu amigo. Hoje publico-o como texto porque a mulher que nele menciono faleceu esta tarde, dia 22 de Junho de 2007, vítima de doença súbita. Soube-o pela irmã. Tinha quarenta e sete anos. Ela, tal como outra da minha vida, a quem me entreguei, amei e respeitei sempre, estarão sempre comigo no tempo e nos sonhos.

A ti Lis,

"Li e reli o artigo sobre as corridas de toiros, brilhantemente escrito, diga-se, pelo meu incondicional amigo furão indiscreto. Outra coisa não era de esperar. Da mesma forma o fiz com os comentários, sabendo de antemão que o tema em nada é pacífico e que por se tratar de um assunto que mexe com sentimentos, é, à partida, algo que se deve tratar data vénia.
Não resisti e respondo da forma que sei.
Confesso-me um amante da festa brava e também eu senti, como aliás qualquer mortal, face à tragédia, a saída de cena do Quim Zé Correia. Prefiro definir assim o seu desaparecimento.
Já perdi amigos em praça, porque assim escolheram e de certa forma o quiseram. Sim, porque quem enverga uma Casaca, um Trajo de Luces ou uma Jaqueta de Ramagens, sabe de antemão que a sua integridade física está posta em risco e que aquela poderá ser a última corrida, quer lhe sobreviva ou não.
Carrego comigo marcas do destemor físico dos anos dourados da minha juventude, sem arrependimento, sem mostrar qualquer sinal de dor quando o dia amanhece mais frio e as articulações ou a ossatura me recordam danos pretéritos. São assim como que medalhas que ostento para mim com orgulho sereno, comedido, meu…só meu.
Quando me disseram na tropa que era um dever militar expor a vida ao risco derradeiro, não me deram novidade nenhuma, estava habituado a jogá-la nas praças de toiros. Aquilo que para muitos constituía objecto de juramento, para mim era a rotina da minha paixão, fazia-o com os meus pares, aqueles que sem necessidade de juramento algum em vãs manifestações de machismo militar (que na maior parte dos casos não existe), comigo ombrearam no enfrentar do toiro bravo.

Esses, que agora raramente vejo, por circunstancialismos da vida, mas que me estão sempre na memória, são também meus amigos de primeira água, alguns dos quais se lesionaram para que eu não o ficasse, sendo o inverso também verdadeiro, mas tendo-se exposto todos eles ao perigo da mesma forma desinteressada...só por amizade. Dão-me o privilégio de lhes chamar amigos da mesma forma humilde com que eu o sou deles. Quando nos reencontramos tudo está igual, como se ainda nas vésperas estivéssemos estado à conversa. É assim porque há um elo forte que nos ligará sempre; o da amizade forjada na partilha do perigo.
Poucas fotografias ou outras relíquias guardo dos anos que passei pelas arenas, mas as memórias dos momentos sublimes de verdadeira camaradagem, amizade, valentia e destemor, essas guardá-las-ei até ao dia que Deus me chamar. Confesso que por vezes o sorriso de uma mulher bastava para esquecer a dor, qual bálsamo milagroso que transformava uma máscara de sofrimento num sorriso de retribuição e agradecimento. Permitam-me a partilha de um pouco da minha vida.
Nos meados da década de oitenta, após o meu regresso de França, melhor, da Córsega, voltei a fardar-me numa das praças principais do país, pegava-se um curro de toiros de ganadaria afamada. Quis o destino que o quinto da corrida me calhasse em sorte para a cara. Lá fui com os meus amigos do grupo e a coisa não correu bem nas duas primeiras tentativas. Rezam as crónicas que o bicho vinha a “pedir contas” e que foi democrático na distribuição de sopa de corno, mas que o grupo esteve sempre bem.
Pelo meu lado sentia que tinha sido metido dentro e uma máquina de lavar. Chegou a terceira tentativa e lá fomos nós outra vez. O toiro fez então uma coisa que não se esperava. No momento da reunião mudou de direcção, já comigo “fechado” com ele. Conclusão: Fiz quase meia praça sozinho nos cornos do toiro, sentindo-lhe os derrotes assim como as dores das tentativas anteriores e, finalmente, o embate nas tábuas onde, com a ajuda dos meus amigos, se consumou a pega.

Diz quem viu que a praça estava de “pé” aplaudindo. Não dei a volta da consagração por dois motivos. O primeiro, sempre, porque não havia pegado à primeira tentativa, noblesse oblige. O segundo, o determinante, porque fui fazer uma visita à enfermaria da praça. Aqui, para além do médico de serviço surgiu uma jovem médica, espontânea, voluntariosa e discípula do velho mestre médico. Reconheci-a imediatamente. Havíamos trocado olhares e sorrisos durante a corrida. Foi ela que me acompanhou ao hospital local, porque assim o quis e onde me deixou entregue aos cuidados dos seus colegas de serviço. Nada de grave tinha para além de uns “amassos” e de renovadas dores em locais da minha anatomia que já haviam sido objecto de atenção taurina anterior. Uns tubinhos de Irudoid e caldos de galinha reporiam forças para a corrida seguinte.
Nessa noite, na mesma praça, houve lugar a uma ceia seguida de “Fados e Guitarradas” com artistas de renome, só para convidados. Compareci atrasado, uma vez que fui tomar banho e mudar de roupa mais tarde. No meio de tanta atenção afectuosa, na demanda do meu estado de saúde, quer dos meus amigos, das suas namoradas ou esposas, dos seus pais e outros familiares, também dos convidados, descobri a jovem médica daquela tarde. Ao seu olhar interrogativo respondi com um aceno de cabeça, indicando-lhe que estava tudo bem.

A noite foi decorrendo ao som dos fados, ao mesmo ritmo que os nossos olhares se cruzavam vezes e vezes sem conta. Aquele olhar era diferente de todos os olhares femininos que já se haviam cruzado com o meu. Era puramente magnético, mágico…indescritível. Abstenho-me de descrever a sua beleza física porque tenho para mim que todas as flores são belas.
Chegou a vez dos fadistas amadores e de quem quisesse cantar. Qual não é o meu espanto quando a jovem médica sobe ao tablado e “arranca” um fado da Dona Teresa Tarouca; “O meu amor é forcado”, dedicando-o a alguém “muito especial que fez do esgar de dor o mais lindo dos sorrisos”.
Percebi de imediato que era para mim. Nunca mulher alguma me havia dito coisa mais linda, ou dedicado algo. Fiquei sem palavras, paralisado, sem saber o que fazer quando ela acabasse de cantar. Creio que pouca gente se apercebeu que era para mim que cantava com aquela linda voz rouca.

Após os fados conhecemo-nos e cai-lhe nos braços da forma que ela me quis, quando e como me quis. Rendi-me incondicionalmente. Jamais esquecerei o seu cheiro, o seu sorriso lindo e aqueles olhos negros como o seu cabelo de azeviche. Voltei a encontrá-la várias vezes e em cada uma delas a anterior era superada. Não era racional, era físico, mas de uma intensidade e entrega esmagadoras. Química pura. Pouco me importa que tudo tenha sucedido na decorrência de um “lamentável espectáculo próprio para pessoas mentalmente atrofiadas”, em que eu usava um daqueles “casaquinhos (ou lá como lhes chamam) muito amaricados, para não dizer de uma “pirosidade” confrangedora”.
Relembro-a frequentemente como uma boa amiga, amante, companheira inteligente e, acima de tudo, como mulher de excepção na minha vida. Sei onde está por acaso, um daqueles que a vida nos proporciona agradavelmente. Exerce num hospital da capital. É hoje, naturalmente, mais mulher, linda como sempre e, ao revê-la, tudo voltou, real, actual…até o cheiro. A distância e o tempo arrefecem muita coisa, assim como os padrões de vida e as “castas” sociais. A forma de olhar mantinha-se inalterada. Fazemos parte um do outro para sempre e só nós o sabemos.

Naquele dia, no entanto, havia experimentado das melhores emoções da minha vida, senão mesmo as melhores. Após pegar um toiro nada fácil, ceei de forma avinhada com os meus amigos, ouvi fados e foi-me dedicado um, caindo em seguida nos braços de uma mulher que me quis incondicionalmente. Venham lá pintores e poetas que pintem ou descrevam um quadro assim como o que guardo na memória.
Quanto ao resto das opiniões sobre os toiros respeito-as sem as discutir. Tenho a minha forma de estar nestas coisas. Ainda hoje, quando “dou de fuga” uma ou outra noite, fechando a última casa de fados ou uma tasca onde se cante até tarde, acabo sempre por passar na Avenida Almirante Reis, não sem antes comprar dois “six-pack” de “bejecas” e uma dúzia de bifanas para ir dar o pequeno almoço a alguns dos que dormem debaixo das coberturas das lojas daquela avenida. Pretexto apenas para conversar um pouco fora da “capa social”. Eles, tal como eu, necessitam desses momentos.
Sei-lhes o nome, o que são e o que foram. Talvez o faça por já estar bebido, talvez por alívio de consciência social, mas tenho para mim que o faço porque quero e gosto, da mesma forma desapaixonada com que peguei toiros. Porque quis e gostei. Os juízos que queiram fazer de ambas as actividades são-me respeitosamente indiferentes, mas aquele espectáculo que vejo ocasionalmente quando me avinho, mas que é diário, em recinto aberto e gratuito, esse sim é consentido por pessoas mentalmente atrofiadas, vestidas com fatinhos caríssimos, de gostos “apaneleirados” e que gastam os impostos em vãs exaltações do seu poderio político.
Carpe diem. "

Quinta-feira, Junho 14, 2007

Dedicatória

A todos os políticos mentirosos, desonestos, arrogantes e travestidos de machos;
A todos os bufos, bufas, torcidos castanhos ou de outra cor, que de alguma forma se promovem ou fazem promover;
A todos aqueles que tendo responsabilidades para com o seu semelhante e ainda assim o usam para se elevar e obter benefício;
A todos os Xicos Espertos do meu país, elevados à condição de heróis nacionais por nos enganarem a todos;
Aos pseudo-escritores-jornalistas-comentadores-plagiadores e todas as pseudo-jornalistas-plagiadoras e a toda uma comunicação social subserviente;
A todos os pseudo Dr’s e Engªs, pantomineiros de elite, assim como todas as Fatinhas do Bacalhau;
A todos os que promovem salas de chuto e fecham maternidades;
A todos os autarcas corruptos, de baixa moral, populistas e chulos assumidos;

Dedico-lhes esta canção com votos que aproveitem bem…Para alguns vai ser até um bem!


Segunda-feira, Junho 11, 2007

Ó da Guarda...

Texto adaptado de um que me chegou por mail sem referência ao autor.
O poema em som de fundo deve ser interpretado e adaptado evolutivamente, atendendo às personagens actuais, embora não se deixe de obrar paras as de então e com muita força.

Alan Greenspan, nasceu em Nova Iorque, de origem judaica. Na sua adolescência tocava saxofone e sonhava vir ser um grande intérprete de jazz.
Obteve o doutoramento em Economia com elevadíssimas médias, tendo vindo a ser nomeado, em Junho de 1987, pelo presidente Reagan, "Chairman of the Board of Governors of the Federal Reserve" – nomeação confirmada pelo Senado dois m
eses depois.
O "Federal Reserve" está para os americanos como o Banco de Portugal está para nós. Porque quando ele deixou o lugar, em Janeiro de 2006, auferia anualmente, pelo desempenho daquele alto cargo, a módica quantia de 186.600 US dólares/ano. Qualquer coisa como 155.000 euros. O valor dos honorários dos outros membros do Conselho de Administração ("Vice-Chairman" incluído) é de cerca de 150.000 euros.

Sabem quanto pagamos, nós, o povinho, com os nossos impostos e para isto estar a merda que está ao Governador do Banco de Portugal, um senhor dotado de um prodigioso crânio, que dá pelo nome de Vítor Constâncio? Não sabem, ou não querem saber?
Pagamos-lhe 280.000 euros, leram bem, DUZENTOS E OITENTA MIL EUROS!
É claro que uma grande potência como Portugal, que possui o dobro da influência, à escala planetária, dos insignificantes EUA, tinha de pagar muito bem ao Boss do seu Banco, além de todas as incontáveis mordomias
que lhe dispensa, tal como aos seus pares daquela instituição pública. Também é claro que a verba do americano é fixada pelo Congresso e JAMAIS – como diria o bronco do Lino – pelo próprio, ao contrário do que se passa no país dos donos do mundo e dos maiores imbecis que habitam o planeta Terra. Serão mesmo, ou somos nós?
O que ma
is impressiona nestes números é que o homem que é escutado atentamente por todo o mundo financeiro, cuja decisão sobre as taxas de juro nos afecta a todos, ganha menos do que o seu equivalente num país pobre, pequeno, periférico, que apenas uma ínfima parcela desse território presta alguma atenção! Até a reforma do Mira Amaral é superior à do Greenspan!
Talvez não fosse má ideia espreitar o portal do Banco de Portugal e verem quem por lá passou como governador,
http://www.bportugal.pt/, “cliquem” em “O Banco; "História"; “Antigos governadores”.

Mas qual é o motivo para que esta escandalosa prática se mantenha? Pela divisa do Conselho de Administração do Banco de Portugal que deve ser parecida com algo assim:" Trabalhe um dia, receba uma pensão de reforma vitalícia e dê a vez a outro."
Os sucessivos governadores do Banco de Portugal têm um denominador comum. Cada vez que apar
ecem em público é porque vem aí merda da grossa!
"Os portugueses vivem acima das suas possibilidades. Há que cortar nos ordenados, há que restringir o crédito!" Proclamam-no sem que a voz lhes trema, mesmo quando se sabe que o actual governador aufere rendimentos que fariam inveja a Alan Greenspan. No fundo, o que eles nos querem dizer é, "Vocês vivem acima das vossas possibilidades, mas nós não!" Têm carradas de razão.
As remunerações dos membros do conselho de administração do Banco de Portugal são fixadas, no termos do artº 40º, al. a) da Lei Orgânica do banco de Portugal, por uma comissão de vencimentos. E quem foi que Luís Campos e Cunha, o então ministro das Finanças e ex-vice-governador do Banco de Portugal, nomeou para o representar e presidir a essa comissão? Quem foi, quem foi?
O ex-governador Miguel Beleza, o qual, como adiante se verá, e caso o regime da aposentação dos membros do conselho de administração também lhe seja aplicável como ex-governador do Banco, poderá beneficiar dos aumentos aprovados para os membros do conselho de administração no activo. Uma seita a que o comum dos portugueses não tem acesso e sobre a qual lhe está vedada toda e qualquer informação, filtradas que são todas as que não interessa divulgar pelos meios da subserviente comunicação social que temos.

Mas tão relevantes como os rendimentos que auferem, são as condições proporcionadas pelo Banco de Portugal no que respeita à aposentação e protecção social dos membros do conselho de administração. O regime de reforma dos administradores do Banco de Portugal foi alterado em 1997, para "acabar com algumas regalias excessivas actualmente existentes." Ainda assim, não se pode dizer que os membros do conselho de administração tenham razões de queixa. Com efeito, logo no n.º 1 do ponto 3.º (com a epígrafe "Tempo a contar") das Normas sobre Pensões de Reforma do Conselho de Administração do Banco de Portugal se estabelece que, "O tempo mínimo a fundear pelo Banco de Portugal junto do respectivo Fundo de Pensões, será o correspondente ao mandato (cinco anos), independentemente da cessação de funções."
Que significa isto? Significa que se um membro do conselho de administração toma posse num belo dia e, se nessa tarde lhe apetecer rescindir o contrato, tem a garantia de uma pensão de reforma vitalícia, porque o Banco se compromete a "fundear" o Fundo de Pensões pelo "tempo mínimo (?) correspondente ao mandato (cinco anos)".

Acresce que houve o cuidado de não permitir interpretações dúbias que pudessem vir a prejudicar um qualquer membro do conselho de administração que, "a qualquer título", possa cessar funções. O n.º 1 do ponto 4.º das Normas sobre Pensões de Reforma dissipa quaisquer dúvidas: "O Banco de Portugal, através do seu Fundo de Pensões, garantirá uma pensão de reforma correspondente ao período mínimo de cinco anos, ainda que o M.C.A. [membro do conselho de administração] cesse funções, a qualquer título."
Quem arquitectou as Normas sobre Pensões de Reforma pensou em tudo?
Pensou, até na degradação do valor das pensões. É assim que o n.º 1 do ponto 6º estabelece por sua vez: "As pensões de reforma serão actualizadas, a cem por cento, na base da evolução das retribuições dos futuros conselhos de administração, sem prejuízo dos direitos adquiridos."
E o esquema foi tão bem montado que as Normas sobre Pensões de Reforma não deixam de prever a possibilidade de o membro do conselho de administração se considerar ainda válido para agarrar uma outra qualquer oportunidade de trabalho que se lhe depare. Para tanto, temos o ponto 7º, com a epígrafe "Cumulação de pensões", que prevê: "Obtida uma pensão de reforma do banco de Portugal, o M.C.A. [membro do conselho de administração] poderá obter nova pensão da C.G.A. ou de outro qualquer regime, cumulável com a primeira (!)."

Mas há mais. O ponto 8.º dispõe que o "M.C.A. [membro do conselho de administração] em situação de reforma gozará de todas as regalias sociais concedidas aos M.C.A. e aos empregados do Banco, devendo a sua pensão de reforma vir a beneficiar de todas as vantagens que àqueles venham a ser atribuídas."
Não restam dúvidas de que fez um excelente trabalho quem elaborou as Normas sobre Pensões de Reforma do Conselho de Administração do Banco de Portugal. Pena é que não tenha igualmente colaborado na elaboração do Código do IRS, de modo a compatibilizar ambos os instrumentos legais. Não tendo acontecido assim, há aquela maçada de as contribuições do Banco de Portugal para o Fundo de Pensões poderem ser consideradas, "direitos adquiridos e individualizados dos respectivos beneficiários" e, neste caso, sujeitas a IRS, nos termos do art. 2.º, n.º 3, alínea b), n.º 3, do referido código. No melhor pano cai a nódoa.

Caros: depois de tudo quanto os mais velhos já assistiram nos últimos 33 anos, e de tudo quanto temos vindo a assistir desde 2005, do candidato marioneta a Belém que Sócrates escolheu, do aborto, da OTA, do TGV, das reformas de miséria, da "hotelização" do litoral alentejano, das pantominices e falsificações de documentos do primeiro-ministro, da saída do ministro mais influente do governo para "namorar" dois anos de presidência da CML, das piadas do ícone da actualidade do standup comedy, o “graçolas” Lino, das gafes inqualificáveis do Pinho, estamos à espera do quê mais para passar à acção?
Às armas, é o que é, e contra os ladrões, marchar, marchar!
Ah, e por favor não reencaminhem isto para o Greenspan – ainda dá uma dor fininha ao pobre coitado...
ACORDA ZÉ…dassssss!

Sexta-feira, Junho 01, 2007

Os Areias

Há mistérios que não o são e medidas cautelares que, pretendendo acautelar algum dano acabam por fazer desaparecer o causador e a vítima.
Reporto-me às fotografias que circulam na internet sobre crianças desaparecidas. Em vez de se fazer o que o retrato robot do OBL mostra. É que qualquer pedófilo esclarecido compra logo corante de cabelo para desviar as atenções. É o desespero dos pais, familiares, a impotência dos amigos e os escassos meios das autoridades nestes casos, ou mesmo a inércia dos governos que nos perturbam a todos.
Tende-se a culpar as polícias e a sorrir-se (eu não!) para os políticos quando se vislumbram na praia ou em qualquer espaço público. Olhando-os como se de alguém extraordinário se tratasse, quando na realidade são verdadeiros parasitas que se sustentam, a si e à canalha que os cerca, com o nosso acordo expresso no voto. Casos há em que casamentos se desfazem porque no desespero da perda os cônjuges se culpam mutuamente, entrando a relação em desgaste com a consequente rotura.
Sim somos culpados, TODOS NÓS, votantes e eleitos.

Os governantes são culpados por acção e por omissão. São-no por acção porque cada vez mais retiram às polícias orçamentos, meios, pessoal, formação, dando-lhe em troca armas obsoletas, viaturas lentas e identificáveis pelas máfias. Não mencionado os salários com que pagam o funcionalismo público e aqueles com que se pagam a si próprios. Compram máquinas de alta cilindrada para os ministérios, Banco de Portugal e outros organismos do estado, num autêntico passeio de vaidades relevando o acessório em detrimento do essencial.
São-no por omissão por terem os seus filhos a estudar em instituições privadas, transportados em viaturas pagas pelos impostos dos honestos e protegidos por seguranças (GOE e Corpo de Segurança da PSP), deixando as escolas públicas e as ruas deste país à mercê de pedófilos, traficantes de seres humanos e de órgãos, das máfias do trafico de crianças e de mulheres, de traficantes de droga, entre outros do mesmo género.

Todos nós somos culpados porque não agimos enquanto sociedade, tornámo-nos rebanhos medrosos deixando os lobos à solta. “Aborregámo-nos” e só quando o nosso rebanho sai à rua, seja ele desportivo, sindical, corporativo, político, de opção sexual, partidário ou de outra natureza é que nos insurgimos. Tocou ao nosso rebanho, então insurgimo-nos e vamos para a rua fazer figuras patéticas, porque todos os outros se estão obrando para o nosso rebanho, da mesma forma que nós obramos para o deles quando lhes toca.
Foi a senhora titular da pasta da educação que resolveu pôr os pais a avaliar os professores. Não, não sou professor e reconheço que nem todos têm aptidão para ensinar, desde logo porque isso não se aprende, é inato, faz parte do carácter e da personalidade de cada um. Ou se é comunicador ou não. Ponto final.
No entanto, daqui a pôr os pais a avaliar professores, quando nem em casa sabem retirar as dúvidas escolares aos filhos, é de uma gritante incompetência e por conseguinte, fazendo eu parte da grande maioria ganhadora das últimas eleições, a abstenção, grito-lhe que é culpada. Sim é culpada de não ter dado força aos professores e ainda os ter fragilizado mais, embora estes também tenham de assumir que há colegas que nem para espelhos deviam falar, pois se não se entendem a si mesmos, como é que se conseguem fazer entender a outros.

No entanto o “engenhêro”, tem vindo a governar de acordo com o nosso ódiozinho nacional a quem está melhor que nós. Soube explorar as raivas caseiras aos militares, polícias, funcionários públicos, magistrados, e em consequência retirou-lhe algumas regalias adquiridas. Ficámos todos contentes. Toma lá, que as fardas e os juízes já se F***! Ganda Zé Socas! (como grita o cauteleiro da Praça Sá Carneiro no Areeiro).
É assim o nosso povinho e a ele aplica-se a metáfora do caranguejo.

Um dia um homem que passeava com o filho junto a um cais onde se encontravam pescadores de caranguejos resolveu ensinar ao filho uma daquelas lições de vida. Chamou à atenção do filho para o facto de todos os baldes terem tampa excepto um. Perguntou então ao filho:
- Sabes qual é o pescador português?
O petiz atrapalhado não soube responder e então o pai disse-lhe:
- É o que tem o balde sem tampa!
- Porquê?
- Porque os caranguejos apanhados pelo português tornam-se logo portugueses e não fogem do balde. Assim que há um que começa a subir, os outros puxam-no logo para baixo.


Há pouco foi o MOP que apelidou de deserto a margem sul do Tejo, n
uma extraordinária demonstração de ignorância, boçalidade e irresponsabilidade política. Eu percebi-o e bem. Como a sul do Tejo predomina o PCP, então para eles aquilo é um deserto e todos os outros que não o sejam que se fecundem.
Depois, oh depois! Foi a alarvidade total com as declarações do Dr. Almeida Santos sobre dinamitar pontes. Por acaso saberá aquele indígena qual a quantidade de explosivos que seria necessária para derrubar qualquer uma das pontes? Abstraindo do sítio específico em que teriam de ser colocadas e o tempo que demoraria. Também é verdade que um camião carregado deles faria estrago suficiente para a interditar por uns dias, nunca destruí-la.
Que tentaria ele justificar tão veementemente para que o aeroporto vá mesmo para a OTA? Que interesses estarão em jogo? Quem lucrará com isso? Quanto nos custará em anos sem aumentos, carreiras congeladas, saúde precária, ensino depauperado, hospitais quase privatizados, maternidades fechadas e salas de chuto abertas?
ACORDA ZÉ!


Na próxima campanha eleitoral vou andar de cartão vermelho e quando vir os políticos na rua mostrar-lhes-ei o dito ou em alternativa o gesto da foto. Façam isso, passem a palavra já para as autárquicas de Lisboa.
Bom fim de semana que o meu já está estragado
.